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Notas de uma observadora ou 1ª tentativa de escrever ficção...

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--> Aquele era um dia, apenas mais um dia em que ela trabalharia no final de semana. Os anos corridos da faculdade lhe proporcionaram a realização de um desejo interessante e saboroso: a gastronomia. Trabalhava naquele agradável lugar havia pouco. Revezava entre o preparar os sabores e servi-los aos degustadores. Sempre interagindo com os clientes, ora falando, ora observando. Apenas observando. Foi então que duas cenas paradoxais se deixavam vistas diante dela. De um lado, um casal feliz. O garoto dedilhava a agradável melodia que ouvia do som produzido pela banda no braço da sua garota, como se ali residisse a partitura daquele momento. Talvez encontrasse nela cada nota, como aqueles escritos em Braille; pelo tato. A garota sorria com toda a expressão que lhe era possível ali, embalada por aquelas doces melodias, acompanhada daquele belo garoto a sorrir com os olhos. Nesse momento, pensei ter escutado ali uma gostosa canção Don't Know Why, que no piano era tocada ...

Um pequeno comentário sobre A Velha e a Aranha

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Deu-se em época onde o tempo nunca chegou. Está-se escrevendo, ainda por mostrar a redigida verdade. O tudo que foi, será que aconteceu? Começo na velha, sua enrugada caligrafia. Oculta de face, ela entretinha seus silêncios numa casinha tão pequena, tão mínima que se ouviam as paredes roçarem, umas de encontro às outras. O antigamente ali se arrumava. A poeira, madrugadora, competia com o cacimbo. A mulher só morava em seu assento, sem desperdiçar nem um gesto. Em ocasiões poucas, ela sacudia as moscas que lhe cobiçavam as feridas das pernas. Sentada, imovente , a mulher presenciava-se sonhar. Naquela inteira solidão, ela via seu filho regressando. Ele se dera às tropas, serviço de tiros. - Esta noite chega Antoninho. Vem todo de farda, sacudu. Para receber António ela aprontava o vestido mais a jeito de ser roupa. Azul-azulinho . O vestido saía da caixa para compor sua fantasia. Depois, em triste suspiro, a roupa da ilusão voltava aos guardos. - Depressa-te Antoninho, a minha v...

O embondeiro que sonhava pássaros

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Pássaros, todos os que no chão desconhecem morada. Esse homem sempre vai ficar de sombra: nenhuma memória será bastante para lhe salvar do escuro. Em verdade, seu astro não era o Sol. Nem seu país não era a vida. Talvez, por razão disso, ele habitasse com cautela de um estranho. O vendedor de pássaros não tinha sequer o abrigo de um nome. Chamavam-lhe o passarinheiro. Todas manhãs ele passava nos bairros dos brancos carregando suas enormes gaiolas. Ele mesmo fabricava aquelas jaulas, de tão leve material que nem pareciam servir de prisão. Parecia eram gaiolas aladas, voláteis. Dentro delas, os pássaros esvoavam suas cores repentinas. À volta do vendedeiro, era uma nuvem de pios, tantos que faziam mexer as janelas: - Mãe, olha o homem dos passarinheiros! E os meninos inundavam as ruas. As alegrias se intercambiavam: a gritaria das aves e o chilreio das crianças. O homem puxava de uma muska (Muska - nome que, em chissena, se dá à gaita-de-beiços.) e harmonicava sonâmbulas melodias....