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Uma lição passada pelo mestre...

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--> A lição de poesia João Cabral de Melo Neto 1 Toda a manhã consumida como um sol imóvel diante da folha em branco: princípio do mundo, lua nova. Já não podias desenhar sequer uma linha; um nome, sequer uma flor desabrochava no verão na mesa: nem no meio-dia iluminado, cada dia comprado, do papel, que pode aceitar, contudo, qualquer mundo. 2 A noite inteira o poeta em sua mesa, tentando salvar da morte os monstros germinados em seu tinteiro. Monstros, bichos, fantasmas de palavras, circulando, urinando sobre o papel, sujando-o com seu carvão. Carvão de lápis, carvão da idéia fixa, carvão da emoção extinta, carvão consumido nos sonhos. 3 A luta branca sobre o papel que o poeta evita, luta branca onde corre o sangue de suas veias de água salgada A física do susto percebida entre os gestos diários; susto das coisas jamais pousadas porém...