23 de maio de 2010

Caminhos


Encontros
Por Fundação José Saramago

Os caminhos por onde os homens circulam só aparentemente são complicados. Procurando bem, sempre se encontram sinais de passos anteriores, analogias, contradições resolvidas ou resolúveis, plataformas onde de repente as linguagens se tornam comuns e universais.

In Viagem a Portugal, Editorial Caminho, 21ª edição, p. 237 (Selecção de Diego Mesa)

Achei esta citação no blog do Saramago. Sempre fico morrendo de vontade de comentar por lá, mas o blog não é aberto pra esse tipo de coisa. Adoro a forma como ele escreve, com exatidão. O único livro dele que tive a oportunidade de ler foi O Evangelho Segundo Jesus Cristo e eu recomendo pra quem quiser se aventurar. O propósito deste post não é falar dele, nem tsmpouco dos livros, mas pra variar, eu fiz uma ponte do texto acima com um poema do Mário Quintana chamado Poeminho do contra e uma música do Teatro Mágico ( A Fé Solúvel) que fala um trechinho do poema também. Como diria o bom e velho Mikhail Bakhtin, nenhum discurso é totalmente puro e original; ele é sempre uma resposta a outras vozes e discursos produzidos antes:

POEMINHO DO CONTRA

Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!

Mário Quintana



A fé solúvel O Teatro mágico

É, me esqueci da luz da cozinha acesa de fechar a geladeira
De limpar os pés,
Me esqueci Jesus!

De anotar os recados
Todas janelas abertas, onde eu guardei a fé... em nós
Meu café em pó solúvel
Minha fé deu nó

Minha fé em pó solúvel

É... meu computador
Apagou minha memória

Meus textos da madrugada

Tudo o que eu já salvei


E o tanto que eu vou salvar
Das conversas sem pressa
Das mais bonitas mentiras


Hoje eu não vivo só... em paz
Hoje eu vivo em paz sozinho
Muitos passarão

Outros tantos passarinho

Muitos passarão


Que o teu afeto me afetou é fato
Agora faça me um favor


Um favor... por favor

A razão é como uma equação
De matemática... tira a prática

De sermos... um pouco mais de nós!


Que o teu afeto me afetou é fato
Agora faça me um favor


Um favor... por favor
Para ouvir a música acima, veja o vídeo abaixo:




As imagens foram retiradas daqui.

17 de maio de 2010

Leve como a pluma que preenche o travesseiro...



(Capítulo LXII - O Travesseiro)

Fui ter com Virgília; depressa esqueci o Quincas Borba. Virgília era o travesseiro do meu espírito, um travesseiro mole, tépido, aromático, enfronhado em cambraia e bruxelas. Era ali que ele costumava repousar de todas as sensações más, simplesmente enfadonhas, ou até dolorosas. E, bem pesadas as coisas, não era outra a razão da existência de Virgília; não podia ser. Cinco minutos bastaram para olvidar inteiramente o Quincas Borba; cinco minutos de uma contemplação mútua, com as mãos presas umas nas outras; cinco minutos e um beijo. E lá se foi a lembrança do Quincas Borba... Escrófula da vida, andrajo do passado, que me importa que existas, que molestes os olhos dos outros, se eu tenho dois palmos de um travesseiro divino, para fechar os olhos e dormir?



(Capítulo LXXIII O "luncheon")

[...] Vinho, fruta, compotas. Comíamos, é verdade, mas era um comer virgulado de palavrinhas doces, de olhares ternos, de criancices, uma infinidade desses apartes do coração, aliás o verdadeiro, o ininterrupto discurso do amor. Às vezes vinha o arrufo temperar o nímio adocicado da situação. Ela deixava-me, refugiava-se num canto do canapé, ou ia para o interior ouvir as denguices de Dona Plácida. Cinco ou dez minutos depois, reatávamos a palestra, como eu reato a narração, para desatá-la outra vez.[...]

In: ASSIS, Joaquim Maria Machado. Memórias póstumas de Brás Cubas.Ciranda Cultural,2007.

E no meio de tanto realismo, ironia e acidez, eu encontrei l e v e z a!

Good People (Spoiller Alert!), de David Foster Wallace

Leia o texto a seguir e somente após ter feito isso, volte e leia a análise: GOOD PEOPLE Two young Christians and an unwanted pregna...

•top sabores•