Postagens

Mostrando postagens com o rótulo Machado de Assis

Ao revisor, com carinho

Imagem
Comemoramos hoje o dia de um profissional importantíssimo para a linguagem escrita em geral: o revisor. Suar, correr para cumprir prazos apertados, essa é a vida que nós enfrentamos. A nossa função transita em investigar textos, remendar, acarinhar, clarear ideias, organizar a dança das palavras. Na calçada da fama, encontramos os nomes de Machado de Assis e Monteiro Lobato que também desempenharam a função. Conta-se que Monteiro dizia que os erros ou falhas se escondem durante o processo de confecção do livro. "Depois de tudo já produzido, o erro aparece na primeira página aberta, como um 'saci', pulando e debochando do revisor." Encerro o post de hoje com uma gostosura repleta de sabor de bobice e diversão: Soneto do revisor (pobre) Empunha uma caneta em cada mão! Rupestre tal ofício: corrigir os erros de quem erra ao se exprimir com verbo, fraseado, conjunção. Parece reescrever co’a gasta mão os textos, numa lida qual faquir...

Rio, de Machado a Drummond

Imagem
As  imagens aparentemente aleatórias a seguir podem não siginificar alguma coisa para os meus poucos (e pacientes) leitores do blog, mas foi lá que Machado de Assis nasceu, na casa de número 18. O escritor recebeu o apelido de Bruxo do Cosme Velho.Passar por lá é um verdadeiro convite a nostalgia literária, algo que poucas pessoas se dão ao luxo de desfrutar. A rua Cosme Velho encontra-se no Rio de Janeiro, no bairro Cosme Velho e dá acesso ao bonde que leva ao Cristo Redentor. Antes de desfrutar da paisagem de tirar o fôlego lá em cima, fiquei imaginando que casa poderia ter sido descrita por ele nos livros. Visualizei as roupas pomposas do Império e os momentos marcantes da República. Casas de arquitetura antiga, com árvores altas na entrada Acesso ao Corcovado Bonde que conduz ao Corcovado Dizem que a casa de Machado de Assis ficava nesse prédio a direita na foto... Enquanto isso, em Copacabana, próximo à esquina das aveni...

Leve como a pluma que preenche o travesseiro...

Imagem
(Capítulo LXII - O Travesseiro) Fui ter com Virgília; depressa esqueci o Quincas Borba. Virgília era o travesseiro do meu espírito , um travesseiro mole, tépido, aromático, enfronhado em cambraia e bruxelas. Era ali que ele costumava repousar de todas as sensações más, simplesmente enfadonhas, ou até dolorosas. E, bem pesadas as coisas, não era outra a razão da existência de Virgília; não podia ser. Cinco minutos bastaram para olvidar inteiramente o Quincas Borba; c inco minutos de uma contemplação mútua, com as mãos presas umas nas outras; cinco minutos e um beijo. E lá se foi a lembrança do Quincas Borba... Escrófula da vida, andrajo do passado, que me importa que existas, que molestes os olhos dos outros, se eu tenho dois palmos de um travesseiro divino, para fechar os olhos e dormir? (Capítulo LXXIII O "luncheon") [...] Vinho, fruta, compotas. Comíamos, é verdade, mas era um comer virgulado de palavrinhas doces , d e olhares ternos , de criancices , uma infin...

Eu sou assim (?)

Imagem
Definir-se é uma incompletude. No final das contas, fico entre o que sou e o que digo ser... Com o passar do tempo assumo outras matizes,mas no fundo, a essência se mantém. Parece contraditório, mas quem sabe se o fato de ser hoje de uma forma e amanhã de outra, não vou construindo pedaços da minha própria essência? Sou toda sensibilidade, porém capaz de sentir bem mais do que mostrar os meus sentimentos. Prefiro a verdade, mesmo que dolorida a uma mentira bem contada, pois o resultado da segunda é mais devastador que o da primeira. Sou capaz de entrar em lugares sem ser percebida. Prefiro ficar nos bastidores e se for reconhecida, que seja pelo que fiz quando ninguém estava olhando. Gosto de ouvir as pessoas. Cresço e sobrevivo da experiência alheia, garimpando as que me são úteis. Ao mesmo tempo, não deixo passar a oportunidade de crescimento pela minha vivência. Sou tão romântica, piegas e ridícula quanto uma carta de amor, como diria o grande Fernando Pessoa. ....