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Mostrando postagens com o rótulo Literatura

John Ames, o pastor que eu queria ter

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Pastor com um rebanho de ovelhas, de Van Gogh A morte é inevitável e, ao mesmo tempo, inesperada em nossas vidas. O rev. John Ames sabia que a sua existência estava se abreviando e decidiu eternizar, para o seu filho, com a avidez de quem não sabe quanto tempo ainda lhe resta, a sua paternidade. A sua escrita de fôlego só faz viagens entre o passado, o presente e imagina o futuro de uma forma doce, mas com alguns sabores amargos quando ele lembra que não vai poder ver o seu garoto crescer. Às vezes, chego quase a esquecer o meu propósito ao escrever essas páginas, qual seja, contar-lhe coisas que teria lhe contado se você crescesse ao meu lado; coisas que, acredito, caibam a mim, enquanto pai, ensinar a você. (p.179) Dessa forma, como alguém que não tem o que perder por abrir o coração e mostrar as dores e os prazeres de sua vida como pastor de uma comunidade, Ames se desnuda em seu ato de escrever. Por que John Ames é o pastor que eu queria ter? Ames nos faz refletir sobre a forma que...

Há um pouco de poesia no ato de dobrar as roupas que saíram do varal

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  William Merritt Chase (1849-1916) Wash Day Back Yard Há um pouco de poesia no ato de dobrar as roupas que saíram do varal. O processo pode ser rápido se a roupa for dobrada imediatamente, mas, convenhamos, a poesia não teria nem uma rima pobre, que dirá uma rica! Esse ato precisa acontecer poeticamente em etapas milimetricamente executadas. Separa-se primeiro as roupas especiais, aquelas que usamos aos domingos e são perfeitas para embelezar a ocasião. Os tecidos são nobres e geralmente necessitam do calor do ferro de passar para surpreender, como uma rima rica. Em seguida, temos as roupas que usamos no dia a dia, enquanto fazemos uma atividade corriqueira em casa. Elas costumam ser variadas: camisetas, shorts, saias, vestidos, calças longas ou curtas; se assemelham em aspecto: rasgadas, fora de moda, desgastadas, mas não deixam a desejar tanto quanto uma rima pobre, pois são confortáveis como uma sonoridade redonda que fica repetindo na cabeça um bom tempo. Outra categoria impor...

Good People (Spoiller Alert!), de David Foster Wallace

Leia o texto a seguir e somente após ter feito isso, volte e leia a análise: GOOD PEOPLE Two young Christians and an unwanted pregnancy By David Foster Wallace They were up on a picnic table at that park by the lake, by the edge of the lake, with part of a downed tree in the shallows half hidden by the bank. Lane A. Dean, Jr., and his girlfriend, both in bluejeans and button-up shirts. They sat up on the table’s top portion and had their shoes on the bench part that people sat on to picnic or fellowship together in carefree times. They’d gone to different high schools but the same junior college, where they had met in campus ministries. It was springtime, and the park’s grass was very green and the air suffused with honeysuckle and lilacs both, which was almost too much. There were bees, and the angle of the sun made the water of the shallows look dark. There had been more storms that week, with some downed trees and the sound of chainsaws all up and down his parents’ str...

Sons de Ferrugem & Ecos de Borboleta - resenha divertida

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14 razões para ler Sons de Ferrugem & Ecos de Borboleta , da Mima Pumpkin . Sim, 14, porque é o dobro do número da perfeição. 1-Você certamente fará uma escritora brasileira radicada na Alemanha explodir de alegria por realizar o seu sonho. 2-Se te flagram lendo literatura para adolescentes você fala que está fazendo uma análise teórico-crítico-literária tomando como base a teoria da recepção. 3-O livro é muito legal, eu li numa sentada enquanto esperava uma amiga no shopping. 4-Eu quis socar alguns personagens durante a leitura. Outros me fizeram sorrir. 5-Você tem a chance de ler o livro antes dele se tornar um best-seller internacional. Quando o meu netinho vier falar sobre ele no futuro direi: “fui uma das primeiras a ler a obra antes da publicação. Além disso, eu já a conhecia antes de ser famosinha. Batíamos altos papos no pvt do Zpoc.”  6-Clarice Lispector, em um desabafo blasé à revista Literatura em Foco, comentou: “ A maior parte das citações publicadas n...

Como se faz literatura (livro)

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Em 60 páginas, Affonso Romano de Sant'Anna orienta aos interessados em estrear a "carreira literária" como escritor. Apesar da data da publicação ter acontecido em 1985, pela Editora Vozes, as orientações servem para os dias atuais. A leitura é bastante agradável e rápida, além de bem-humorada. Affonso inclui no livro indicações de leitura para os iniciantes. Recomendo a leitura!

A voz do passarinho...

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Imagem Já pensou em ouvir os poemas do Quintana recitados pelo próprio? Eis: http://www.radiobatuta.com.br/Episodes/view/593

Sobre tirar espinhos...

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Olá, meus queridos leitores! (se é que alguém ainda me dá o prazer disso por aqui...) Vim tirar a poeira daqui com um trecho lindo das Crônicas de Narnia que caiu como uma bomba diante dos meus olhos hoje e muito me comoveu. Como eu pude deixar passar algo tão lindo assim durante as minhas leituras?  As alegorias do C.S.Lewis me são imensamente prazerosas. Degustem: Créditos da imagem: Jonas Madureira "Não vou contar como virei dragão, mas vou lhe dizer como deixei de ser dragão." (...) "Pensava: “Deus do céu! Quantas peles terei de despir?” Como estava louco para molhar a pata, esfreguei-me pela terceira vez e tirei uma terceira pele. Mas ao olhar-me na água vi que estava na mesma. Então o leão disse (mas não sei se falou): “Eu tiro a sua pele”. Tinha muito medo daquelas garras, mas, ao mesmo tempo, estava louco para ver-me livre daquilo. Por isso me deitei de costas e deixei que ele tirasse a minha pele. A primeira unhada que me deu foi tão funda que julgue...

Anatomia de um coração

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Imagem Taquicardia, borboletas no estômago, euforia. A vida inteira que foi passando e ela nem viu. Acelera, (des)acelera, acelera, (des)acelera. Foi ao médico: -Diga que não vai se deixar enganar de novo - De novo não... de novo não... de novo não -Suspire ********************************** -A senhora tem a ausência de um pedaço da razão [ilusão -Então, doutor, não é possível preencher com um pedaço de emoção? -Não. A única coisa a fazer é acalmar o coração. (*) O coração é mais enganoso que qualquer outra coisa e sua doença é incurável. Quem é capaz de compreendê-lo? Jeremias 17:9 *O texto é uma paródia escancarada do poema Pneumotórax, de Manuel Bandeira e resultado de uma ideia que ficou passeando pela cabeça enquanto eu ouvia a canção Calma Aí, coração, do Zeca Baleiro , que ao mesmo tempo faz uma ponte interessante com o texto bíblico.

Memórias (doces) da minha adolescência: Cris e Ted

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        - Sabe, Kilikina? Há muito tempo que eu estava orando para que nós dois estivéssemos juntos assim. Descansando a cabeça no seu ombro, Cris respondeu: - Eu também tenho pedido isso a Deus, Ted. Lembra quando você, um dia desses, disse que era tempo de nos alegrarmos? - Lembro, replicou ele em voz baixa e doce. - Acho que sei uma expressão melhor. - É? Qual? - Amar. Para nós, agora é tempo de amar. Aconchegada a ele, Cris sentia vibrar dentro de si o eco harmonioso de suas palavras. - Gostei dessa. Tempo de amar. Juntos contemplaram o pôr-do-sol, cada qual ouvindo a respiração firme do outro e sentindo o calor um do outro. Em "Tempo de amar"   O trecho acima foi retirado  daqui .

Uma vó que faz poesia...

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Hoje é o dia das avós, aqueles serzinhos maravilhosos criados por Deus para cuidar com carinho dos netinhos, "estragá-los" e entupi-los com guloseimas. Lembro com muita saudade da minha avó Iaponira e dos seus mimos para comigo. Nunca esquecerei dos quitutes e dos momentos de acolhida em seu lar. Se eu fosse pensar numa vó para eleger para mim eu possivelmente escolheria a poetiza Adélia Prado . O meu 1º contato com a sua poesia aconteceu no final de 2009 quando naquele ano eu faria uma seleção de mestrado em Campina Grande e tive como (grata) tarefa realizar a leitura do livro Terra de Santa Cruz . O mais legal é que ela ainda está viva e produzindo bastante! Deixarei como encerramento deste pequeno post-tira-teia-de-aranha-do-blog-meio-abandonado-por-falta-de-tempo um poema dela cujo título é Ensinamento (vocês hão de convir que ensinar é a especialidade das avós): Ensinamento Minha mãe achava estudo a coisa mais fina do...

Da balzaquianice...

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... uma bobice . * Imagem

Meu poema de sete faces*

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Quando nasci, um anjo torto desses que vivem na sombra disse: Vai, Débora! Ser alguém na vida. as portas abrem passagens para outras dimensões. A manhã talvez tivesse qualquer cor Ainda assim inspiraria recomeços. O ônibus passa cheio de cabeças: Cabeças brancas vermelhas marrons: Para que tanta cabeça, meu Deus, pergunta minha cabeça. Porém meu coração Silencia. O artista atrás da sua obra É frágil, simples e nobre. Quase não se dá nada por ele. Tem muitos, admiradores, mas raros amigos O artista atrás da sua obra. Meu Deus, nunca me abandonaste Sabes quem eu sou, Mas mesmo assim não me deixas. Mundo mundo vasto mundo Se eu me chamasse outro nome, Qualquer que seja, Nem a rima seria uma solução; fosse ela pobre ou rica. Mundo mundo vasto mundo Mais vasto é o que alcança a minha imaginação. Eu não queria te dizer Mas essa lua Mas essa melancolia Desconheço alguém mais sentimental que eu... *Tal qual o de Drummond , o "Meu poema de Sete...

Se eu fosse, seria(?)

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Se eu fosse um mês, eu seria: janeiro . Se eu fosse um dia da semana: sábado s são aprazíveis. Se eu fosse uma hora do dia: meia-noite ; um entre-lugar. Se eu fosse um planeta ou astro: a l u a , pois tenho fases como ela... (Cecília Meireles) Se eu fosse uma direção: adiante .  Se eu fosse um móvel: uma estante repleta de livros.                                                     Se eu fosse um líquido: água , de côco. Se eu fosse uma pedra: um diamante ; estou sempre em processo de lapidação.   Se eu fosse uma árvore: um baobá , eles parecem ser eternos...   Se eu fosse uma fruta: morango , nem muito azedo, nem tão doce.   Se eu fosse uma flor: jasmim .   Se eu fosse um clima: trop...