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Mostrando postagens com o rótulo Crônica

Há um pouco de poesia no ato de dobrar as roupas que saíram do varal

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  William Merritt Chase (1849-1916) Wash Day Back Yard Há um pouco de poesia no ato de dobrar as roupas que saíram do varal. O processo pode ser rápido se a roupa for dobrada imediatamente, mas, convenhamos, a poesia não teria nem uma rima pobre, que dirá uma rica! Esse ato precisa acontecer poeticamente em etapas milimetricamente executadas. Separa-se primeiro as roupas especiais, aquelas que usamos aos domingos e são perfeitas para embelezar a ocasião. Os tecidos são nobres e geralmente necessitam do calor do ferro de passar para surpreender, como uma rima rica. Em seguida, temos as roupas que usamos no dia a dia, enquanto fazemos uma atividade corriqueira em casa. Elas costumam ser variadas: camisetas, shorts, saias, vestidos, calças longas ou curtas; se assemelham em aspecto: rasgadas, fora de moda, desgastadas, mas não deixam a desejar tanto quanto uma rima pobre, pois são confortáveis como uma sonoridade redonda que fica repetindo na cabeça um bom tempo. Outra categoria impor...

Sobre tirar espinhos...

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Olá, meus queridos leitores! (se é que alguém ainda me dá o prazer disso por aqui...) Vim tirar a poeira daqui com um trecho lindo das Crônicas de Narnia que caiu como uma bomba diante dos meus olhos hoje e muito me comoveu. Como eu pude deixar passar algo tão lindo assim durante as minhas leituras?  As alegorias do C.S.Lewis me são imensamente prazerosas. Degustem: Créditos da imagem: Jonas Madureira "Não vou contar como virei dragão, mas vou lhe dizer como deixei de ser dragão." (...) "Pensava: “Deus do céu! Quantas peles terei de despir?” Como estava louco para molhar a pata, esfreguei-me pela terceira vez e tirei uma terceira pele. Mas ao olhar-me na água vi que estava na mesma. Então o leão disse (mas não sei se falou): “Eu tiro a sua pele”. Tinha muito medo daquelas garras, mas, ao mesmo tempo, estava louco para ver-me livre daquilo. Por isso me deitei de costas e deixei que ele tirasse a minha pele. A primeira unhada que me deu foi tão funda que julgue...

Estrabismo lexical

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Algo recorrente em minha vida de escritora esporádica quando tenho a ideia de escrever um texto: as palavras começam a surgir na cabeça como uma chuva que começa fininha e de repente se transforma em enxurrada. O que sucede são tropeços e mais tropeços, pois quando isso acontece eu nunca tenho um bloquinho sequer pra lançar as ideias. Consequentemente, o estrabismo lexical do título que você que me lê procurou ao longos dessas poucas linhas que escrevo, surge e se por sorte eu chegar em casa a tempo, montarei o texto como um quebra-cabeça, utilizando apenas um lápis e um papel.

Do dente de leão...

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  Achei que criar raízes seria só no chão... Mas descobri que se criam raízes também no coração. (JL Vargas) O dente de leão é uma planta incomum. Não, não vou me deter a descrevê-lo sob a ótica da botânica, biologia ou seja lá qual for a ciência que abarque o seu estudo. Quero poetizá-lo na sua liberdade, singeleza e determinação; pela sua capacidade de fazer vínculos sem fincar raízes, mas paradoxalmente deixando vestígios pelo caminho. Há pessoas dente de leão. Sua presença surpreende, é trazida por um vento que não se sabe de onde veio e nunca sabemos para onde vai. Elas são (in)comuns, imprevisíveis e encantadoras pelo mistério que as envolve. Não se sabe que critérios ela utiliza para escolher de quem ficará perto-longe. Não saber, não entender suas idas e vindas, nunca vai torná-la menos interessante, pelo contrário.  Certa tarde, abri minha janela e o vento da tarde me trouxe um. Eu sorri pra ele e depois daquele dia eu nunca mais fui a mesma, pois ...

Das estações.

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  As estações passam e a medida em que elas mudam de lugar, acompanho o seu ciclo infinito. Deixo-me inundar nas cinzas do inverno para florescer em vários tons de lilás vermelho-alaranjado. Ao mesmo tempo sou a folha que ressecou, caiu e passou a compor o (des)colorido tapete ao chão; o mesmo chão em que os miúdos brincam a pisar, se deliciando com as onomato(pé)ias ruidosas produzidas pelas pisadas de suas meninices. Até que percebo que sou nada, nada mais que uma gotícula de orvalho que brinca de esconder dos raios de sol. Aprendi com a primavera; a deixar-me cortar e voltar sempre inteira. (Cecília Meireles) ***imagem

Gênese.

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  Você pode fazer mais com um castelo na narrativa do que com o melhor castelo de cartolina que jamais se viu sobre a mesinha de uma criança. [1]  Foi na narrativa que ela encontrou o sabor das primeiras coisas. As primeiras cores foram os caracteres em branco e preto que saltavam a cada momento que os olhos passavam pelas palavras. Os primeiros aromas foram sentidos vieram das florestas dos contos de fadas, com as suas floras e faunas encantadas. O primeiro toque foi para sentir o personagem na textura do papel e atestar que ele era de verdade mesmo (embora soubesse que ele é parte de uma coerência interna, uma verdade ficcional).O primeiro som foram vozes, aquelas vozes que juramos ouvir quando cada personagem dialoga, pensa, canta, sussurra, GRITA. Ela descobriu que poderia fazer o que quisesse numa narrativa e decidiu que se tivesse que fazer, faria o melhor que pudesse; guardaria as primeiras sensações de todas as primeiras coisas que passaram p...

O que passou a ser. Em transformação...

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Habito os dez mil e quinhentos universos sugeridos pela física quântica satisfeita de ser tantas em tantos                            (Diva Cunha) 1º Universo,o das bobices. Era uma vez ela, uma menina. Há tanto tempo esperada; a torre do castelo já tinha espaço para abrigar seus devaneios infantis, cercada de afeto, mimos, cuidados. Seus pequenos prazeres: canções lilases , longas conversas com objetos disfarçados de brinquedos e quitutes da avó. Ela, a menina, era capaz de montar quebra – cabeça com nuvens, mas tinha medo do escuro. Pra isso achou uma solução: descobriu que poderia morar num livro. Seu primeiro e grande amor foi um livro. Toda semana aguardava ansiosamente pelo encontro com o seu amado. Sentia todos os sintomas de paixonite. Frio na barriga. Ria do vento. Sentia saudade, mesmo est...

Das pessoas e as caixas...

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"Sofro por causa do meu espírito de colecionador-arqueólogo. Quero pôr o bonito numa caixa com chave para abrir de vez em quando e olhar." (Adélia Prado)   Somos como aquelas caixas, objetos que usamos para guardar coisas; compartimentados, separados por categorias distintas.  Em algum lugar situam-se as boas lembranças; suspeito que fiquem na superfície, pra facilitar o acesso: pessoas que passaram por nós e suas marcas, mais fixas e permanentes do que pegadas na areia e tatuagens; cheiros que insistem em voltar, mesmo quando o frasco do perfume esvaziou; imagens que são projetadas a cada exaustivamente quando a memória aperta o play; sons que fazem a playlist da sua vida; sabores como o inconfundível bolo de laranja e o segredo tumular do tempero que ela colocava no bife acebolado. O que fazemos com as lembranças ruins? Depende de cada caixa. Algumas preferem se amontoar de rancores, dissabores, melancolias. Quando abrimos essas caixas, sentimentos u...

Eu sei, mas não devia

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Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia. A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e a não ter outra vista que não seja as janelas ao redor. --> E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas logo se acostuma acender mais cedo a luz. E a medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão. A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar café correndo porque está atrasado. A ler jornal no ônibus porque não pode perder tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá pra almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia. A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja número para os mortos. E aceitando...

Crise do quarto de vida?

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De vez em quando me pego pensando porque algumas coisas já não mais têm graça, enquanto outras me dão tanto prazer. Meu circulo de amizades é cada vez menor, embora a cada dia conheça novas pessoas, em diversos lugares que freqüento. Há alguns anos eu diria que todos que conheço são “amigos”. O tempo não passou só pra mim, pois está cada vez mais complicado reunir os amigos que partilharam do meu passado. Cada um foi pra um lado, trabalho, estudos, casamento e namoro estão entre os motivos mais freqüentes de tantos desencontros. Vamos marcar? Vamos mesmo! Os dias, as semanas, os meses, os anos passam e ninguém marca coisa nenhuma. Os encontros passam a ser casuais. E olhe lá! As aglomerações já não têm mais graça. Encarar o show da sua banda preferida, no meio do povão é quase insano. Percebo que os grupinhos da escola eram passageiros e que os amigos de verdade de alguma forma me acompanharam em momentos posteriores e outros podem até não ter feito isso, mas descobri que são e...

Encerrando ciclos...

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Hoje o post não é de minha autoria, mas tá valendo... O texto a seguir é um daqueles que circulam na rede e não sabemos quem de fato é o autor. Alguns atribuem ele a Paulo Coelho, Fernando Pessoa, etc, etc... A autoria não é o mais importante e sim a mensagem, pois nos faz pensar! Encerrando Ciclos Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver… Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram… Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações? Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu… Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram c...