7 de abril de 2009

Fábula





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Menino gordo comprou um balão
e assoprou
assoprou com força o balão amarelo

Menino gordo assoprou
assoprou
assoprou
o balão inchou
inchou
e rebentou

Meninos magros apanharam os restos
e fizeram balõezinhos

[José João Craveirinha]
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Ontem na aula de Literatura Africana de Expressão Portuguesa, a professora leu esse poema do Craveirinha e logo de cara, simpatizei com ele pela simplicidade com que trata uma situação cotidiana das crianças que me fez lembrar a minha também. O título do poema já sinaliza que uma história vai ser contada, mas o curioso é que o meu conhecimento a respeito de fábula é que se trata de uma narrativa alegórica em prosa ou verso, cujos personagens são animais com características humanas e com um final essencialmente moralizante. Quando a narrativa apresenta seres inanimados, objetos, ela passa a se chamar Apólogo. Pois bem, o caso é que o poema não apresenta as características próprias de uma fábula... Esse é um caso a ser investigado, em breve trarei uma resposta (se é que existe uma ). Vale salientar que, na linguagem literária, todos os elementos que compõem a escrita fazem sentido, tem uma razão para estar na composição do texto, mesmo que a princípio não entendamos bem o que ele está tentando nos falar. Passemos do título ao poema... Ele começa em tom de prosa, falando de uma distinção bastante comum no universo infantil: o menino gordo e o menino magro.O gordinho é sempre o mais saudável, é o que compra e enche o balão, enquanto os meninos magrinhos apanham os restos do balão do menino gordo e fazem balõezinhos. Essa imagem dos meninos fazendo balõezinhos com o que soprou me faz lembrar das festinhas que fui quando criança e que eu fazia a mesma coisa. Quem já fez isso algum dia, lembra do barulhinho que elas fazem resultante do atrito com as mãos? ^^
O escritor deste texto costuma tratar realidades de Moçambique através de uma poesia engajada, denunciando as principais questões sociais.Essa é uma das realidades vividas pelas crianças de lá, retratada de maneira simples e com uma riqueza de imagens cotidianas.

8 comentários:

GABRIEL, gustavo disse...

Genial o modo como ele fala da realidade.

Deus quisesse que eu pudesse denunciar as questões sociais de modo a tocar o coração como o autor.

Abraços

Ps.: eu sempre fui o menino magro.

Mel disse...

kkkkkkkk gabriel sempre foi magro :P

er o.o

Que bacana debby... Eu gostei! Se tu não dissesse que ele costumava falar sobre as questões sociais eu não tinha visto com esse olhar ^^

Debby eh uma professora tão bacana, neh gente? (:

Gostei tb pq tem o bolinha e o Doug *-*
e um balão tb *-***

;*

Mimi disse...

Influenciada por um livro que li quando era crianca onde o menino gordo era vítima de judiacao, li o poema com uma perspectiva totalmente diferente, rs.

Nathi disse...

Tentei postar à tarde e não obtive sucesso, agora acho que vai!

Bom, você sabe que sempre aprecio as suas leituras, principalmente quando há crianças, como o do menininho e o vendedor de passarinhos!

Duas belas e tristes histórias!

beijinhos com sabor de feriado!

R@mon_Vitor disse...

Muito bom.
Só uma passada rápida.
Interessante essa coisa ai do Garoto gord... Garoto magro...
Parabéns.
XD

Celho disse...

Aí está algo que eu preciso fazer urgentemente, começar a entender um pouco mais de literatura. Vi ali uma citação do Barthes e lembrei que ainda tenho que ler um capítulo de "A preparação para o romance vol. II". Terra complicada essa do fazer literário.
Quanto ao poema ali, como disse a Mel, se vc não avisasse da questão social embutida, eu com certeza não a veria... De qualquer forma, preciso passar aqui mais vezes pra ver se aprendo algo.
^^
Bjo

Debby disse...

Oba! Voltem sempre! ^^

Sabrina disse...

Oi! Achei teu blog meio por acaso e estou adorando!!!
Obrigada por esses momentos de alegria!
Abraço, Sabrina

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