9 de outubro de 2008

De frente com Faraco

Hoje meu post é especial... Acabei de chegar de uma palestra maravilhosa do Prof. Faraco, sim ele mesmo, o cara que escreveu muitos livros nos quais costumamos ter contato durante a vida escolar. O encontro com ele foi de grande valia, pois tive a oportunidade de trocar idéias com alguém que, com certeza, influenciou a minha escolha pela educação. Em conversa, comentamos que muitas palavras que dizemos ao longo da vida deixam marcas e produzem efeitos inesperados aos nossos ouvintes. No caso dele, graças as agradáveis aplicações práticas da gramática no cotidiano sugerida em sua obra, aqui estou licenciada, apaixonada pela literatura e com o nobre objetivo de formar leitores assim como eu, amantes das belas letras. A crônica a seguir, foi comentada por ele durante a nossa conversa e expressa bem o que sinto em relação a influência do professor na vida de um aluno:

Tanto que tenho falado, tanto que tenho escrito – como não imaginar que,sem querer, feri alguém? Às vezes sinto, numa pessoa que acabo de conhecer, uma hostilidade surda, ou uma reticência de mágoas. Imprudente ofício é este, de viver em voz alta.
Às vezes, também a gente tem o consolo de saber que alguma coisa que se disse por acaso ajudou alguém a se reconciliar consigo mesmo ou com a sua vida de cada dia; a sonhar um pouco, a sentir uma vontade de fazer alguma coisa boa.
Agora sei que outro dia eu disse uma palavra que fez bem a alguém. Nunca saberei que palavra foi; deve ter sido alguma frase espontânea e distraída que eu disse com naturalidade porque senti no momento – e depois esqueci.
Tenho uma amiga que certa vez ganhou um canário, e o canário não cantava. Deram-lhe receitas para fazer o canário cantar; que falasse com ele, cantarolasse, batesse alguma coisa ao piano; que pusesse a gaiola perto quando trabalhasse em sua máquina de costura; que arranjasse para lhe fazer companhia, algum tempo,outro canário cantador; até mesmo que ligasse o rádio um pouco alto durante uma transmissão de jogo de futebol... mas o canário não cantava.
Um dia a minha amiga estava sozinha em casa, distraída, e assobiou uma pequena frase melódica de Beethoven – e o canário começou a cantar alegremente. Haveria alguma secreta ligação entre a alma do velho artista morto e o pequeno pássaro cor de ouro?
Alguma coisa que eu disse distraído – talvez palavras de algum poeta antigo – foi despertar melodias esquecidas dentro da alma de alguém. Foi como se a gente soubesse que de repente,num reino muito distante, uma princesa mito triste tivesse sorrido. E isso fizesse bem ao coração do povo; iluminasse um pouco as suas pobres choupanas e as suas remotas esperanças.

(BRAGA Rubem, 200 crônicas escolhidas.7. ed. Rio de Janeiro, Record. 1988. 247-8)

7 comentários:

Mimi disse...

Aeee! Eu penso que o ramo da Educacao é um dos que mais exigem paixao. Pq nao tem como ser um bom educador se vc nao tem seu coracao nisso.
E eu vejo isso em vc! Taaaao legal minha amiga q tem uma causa nobre ^^

Polêmica disse...

Tem uma frase que diz que "de psicologo e louco todo mundo tem um pouco". Todos nós temos um pouquinho de psicólogo dentro da gente. As nossas palavras têm o poder de fazer alguém reagir, de fazer alguém sorrir. Os professores usam as palavras para educar, eles devem estar sempre cientes do poder que eles tem!

Beijinhos!

Nani Sampaio disse...

awwwwwwwn blog da Debby tão perfeito *.*
Posts com conteúdo, e ela escreve tão bonito :]
Tá de parabéns flor :D
/me quer ser que nem a Debby quando crescer \o/

E muito linda essa crônica *.*

:*****

Anderson Butilheiro disse...

Só pra constar: custei a entender que degustação era comentário... haeuhaeuhaeu!! oO

Mas então, como deveria eu dizer, essa coisa de educar tem que estar no sangue mesmo!! Não tem jeito! Como professor também, que sou, tenho que concordar que ensinar é algo extremamente gratificante quando feito devidamente!! Agora, que tem dia que dá vontade de matar uns, isso tem!! hehehe!!

Bjos, Debba!! ^^

Flávio Américo disse...

Menina, amei o seu texto. A leitura, como outras formas de arte, consegue nos fazer acordar da vida agitada de todo dia. Fazemos tudo meio que dormindo, pois fica automático. Seu texto me deixou o gostinho bom de saudade de algo que n se sabe o é, mas que faz falta.

Mimi disse...

(/me passa e deixa beijo ^^)

Nathi disse...

Amei mesmo suas idéias presentes no blog...sabe...50% do que sou hoje acho que devo aos meus professores, dos quais sinto muitas saudades!!

beijos

=]

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