12 de outubro de 2010

Nonsense


"Um fim de mar colore os horizontes."

"Tenho candor por bobagens. Quando eu crescer eu vou ficar criança."

"Fui criado no mato e aprendi a gostar das coisinhas do chão."
 
"Sou livre para o silêncio das formas e das cores."

"A tarefa mais lídima da poesia é a de equivocar o sentido das palavras."

''Queria que a minha voz tivesse um formato, de canto. Porque eu não sou da informática: eu sou da invencionática.''

"Eu fui aparelhado, para gostar de passarinhos. Tenho abundância de ser feliz por isso."

"Invento para me conhecer."
Manoel de Barros é sinônimo de infância da linguagem; não conheço maior despropósito do que os seus escritos e quando falo em despropósitos, me refiro a poemas como o que segue:



O Menino Que Carregava Água Na Peneira
 


Tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino
que carregava água na peneira.

A mãe disse que carregar água na peneira
era o mesmo que roubar um vento e sair
correndo com ele para mostrar aos irmãos.

A mãe disse que era o mesmo que
catar espinhos na água
O mesmo que criar peixes no bolso.

O menino era ligado em despropósitos.
Quis montar os alicerces de uma casa sobre orvalhos.
A mãe reparou que o menino
gostava mais do vazio
do que do cheio.
Falava que os vazios são maiores
e até infinitos.

Com o tempo aquele menino
que era cismado e esquisito
porque gostava de carregar água na peneira
Com o tempo descobriu que escrever seria
o mesmo que carregar água na peneira.

No escrever o menino viu
que era capaz de ser
noviça, monge ou mendigo
ao mesmo tempo.

O menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.

Foi capaz de interromper o vôo de um pássaro
botando ponto final na frase.

Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.

O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor!
A mãe reparava o menino com ternura.

A mãe falou:
Meu filho você vai ser poeta.
Você vai carregar água na peneira a vida toda.

Você vai encher os
vazios com as suas
peraltagens
e algumas pessoas
vão te amar por seus
despropósitos.



Instruções de leitura:liberte a criança que existe em você, aquela que te permitia ver desenhos em nuvens e tocá-los com as pontas dos dedos, respirar o som da canção de ninar que te embalava o sono e criar coisas e coisas e coisas e coisas despropositadamente sem sentido pra todo mundo, menos pra você!Mas se nada disso a libertar,entre numa loja de brinquedos e veja o que acontece,é uma experiência deliciosa...

 

5 comentários:

Mimi disse...

A segunda frase é minha favorita.
E vc, entrou numa loja de brinquedos?
=*

Débora Oliveira disse...

Sempre que posso eu entro sim,Mimi!As melhores lojas dos shoppings são as de brinquedos! ^^

Nathi disse...

Entrei neste feriado!!!

Ai,queria um Bas [Toy Story], mas é caro! Ah! Ele fala e acende a luzinha!
Beijos Professora

Caceres disse...

Eu só vejo plástico nas lojas de criança. Melhor é ir ao Parque das Dunas num domingo e dar uma volta lá dentro, ali sim você vê alegria despropositada a cada brinquedo ocupado por uma criança. :)

Vanessa Karoline . disse...

Que blog liiindo! ameeeei :D

post tão inspirador. parabéns!

Good People (Spoiller Alert!), de David Foster Wallace

Leia o texto a seguir e somente após ter feito isso, volte e leia a análise: GOOD PEOPLE Two young Christians and an unwanted pregna...

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