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Pedaços de leitura: Terra Sonâmbula, de Mia Couto

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Citações presentes na primeira página do livro: Se dizia daquela terra que era sonâmbula. Porque enquanto os homens dormiam, a terra se movia espaços e tempos afora. Quando despertavam, os habitantes olhavam o novo rosto da paisagem e sabiam que, naquela noite, eles tinham sido visitados pela fantasia do sonho. (Crença dos habitantes de Matimati) O que faz andar a estrada? É o sonho. Enquanto a gente sonhar a estrada permanecerá viva. É para isso que servem os caminhos, para nos fazerem parentes do futuro. (Fala de Tuahir) Há três espécies de homens: Os vivos, os mortos e os que andam no mar. (Platão) Contar histórias é algo milenar, advém das mais remotas e passadas tradições humanas. Terra Sonâmbula é um bom exemplo disso. A história se passa no Moçambique pós-independência durante uma terrível guerra civil. Os personagens, um velho chamado Tuahir e um menino por nome Muidinga encontram um ônibus abandonado que servirá de abrigo para ambos. Ao lado do veíc...

Gênese.

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  Você pode fazer mais com um castelo na narrativa do que com o melhor castelo de cartolina que jamais se viu sobre a mesinha de uma criança. [1]  Foi na narrativa que ela encontrou o sabor das primeiras coisas. As primeiras cores foram os caracteres em branco e preto que saltavam a cada momento que os olhos passavam pelas palavras. Os primeiros aromas foram sentidos vieram das florestas dos contos de fadas, com as suas floras e faunas encantadas. O primeiro toque foi para sentir o personagem na textura do papel e atestar que ele era de verdade mesmo (embora soubesse que ele é parte de uma coerência interna, uma verdade ficcional).O primeiro som foram vozes, aquelas vozes que juramos ouvir quando cada personagem dialoga, pensa, canta, sussurra, GRITA. Ela descobriu que poderia fazer o que quisesse numa narrativa e decidiu que se tivesse que fazer, faria o melhor que pudesse; guardaria as primeiras sensações de todas as primeiras coisas que passaram p...

O que passou a ser. Em transformação...

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Habito os dez mil e quinhentos universos sugeridos pela física quântica satisfeita de ser tantas em tantos                            (Diva Cunha) 1º Universo,o das bobices. Era uma vez ela, uma menina. Há tanto tempo esperada; a torre do castelo já tinha espaço para abrigar seus devaneios infantis, cercada de afeto, mimos, cuidados. Seus pequenos prazeres: canções lilases , longas conversas com objetos disfarçados de brinquedos e quitutes da avó. Ela, a menina, era capaz de montar quebra – cabeça com nuvens, mas tinha medo do escuro. Pra isso achou uma solução: descobriu que poderia morar num livro. Seu primeiro e grande amor foi um livro. Toda semana aguardava ansiosamente pelo encontro com o seu amado. Sentia todos os sintomas de paixonite. Frio na barriga. Ria do vento. Sentia saudade, mesmo est...

Das pessoas e as caixas...

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"Sofro por causa do meu espírito de colecionador-arqueólogo. Quero pôr o bonito numa caixa com chave para abrir de vez em quando e olhar." (Adélia Prado)   Somos como aquelas caixas, objetos que usamos para guardar coisas; compartimentados, separados por categorias distintas.  Em algum lugar situam-se as boas lembranças; suspeito que fiquem na superfície, pra facilitar o acesso: pessoas que passaram por nós e suas marcas, mais fixas e permanentes do que pegadas na areia e tatuagens; cheiros que insistem em voltar, mesmo quando o frasco do perfume esvaziou; imagens que são projetadas a cada exaustivamente quando a memória aperta o play; sons que fazem a playlist da sua vida; sabores como o inconfundível bolo de laranja e o segredo tumular do tempero que ela colocava no bife acebolado. O que fazemos com as lembranças ruins? Depende de cada caixa. Algumas preferem se amontoar de rancores, dissabores, melancolias. Quando abrimos essas caixas, sentimentos u...

Eduque o olhar...

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 palavra lê paisagem contempla cinema assiste cena vê cor enxerga corpo observa luz vislumbra vulto avista alvo mira céu admira célula examina detalhe nota imagem fita olho olha  [Arnaldo Antunes] Caso deseje ampliar a sua reflexão sobre o olhar uma boa pedida é o documentário Janela da Alma , de João Jardim e Walter Carvalho. Olhe, mire, veja...

Notas de uma observadora ou 1ª tentativa de escrever ficção...

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--> Aquele era um dia, apenas mais um dia em que ela trabalharia no final de semana. Os anos corridos da faculdade lhe proporcionaram a realização de um desejo interessante e saboroso: a gastronomia. Trabalhava naquele agradável lugar havia pouco. Revezava entre o preparar os sabores e servi-los aos degustadores. Sempre interagindo com os clientes, ora falando, ora observando. Apenas observando. Foi então que duas cenas paradoxais se deixavam vistas diante dela. De um lado, um casal feliz. O garoto dedilhava a agradável melodia que ouvia do som produzido pela banda no braço da sua garota, como se ali residisse a partitura daquele momento. Talvez encontrasse nela cada nota, como aqueles escritos em Braille; pelo tato. A garota sorria com toda a expressão que lhe era possível ali, embalada por aquelas doces melodias, acompanhada daquele belo garoto a sorrir com os olhos. Nesse momento, pensei ter escutado ali uma gostosa canção Don't Know Why, que no piano era tocada ...

Rio, de Machado a Drummond

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As  imagens aparentemente aleatórias a seguir podem não siginificar alguma coisa para os meus poucos (e pacientes) leitores do blog, mas foi lá que Machado de Assis nasceu, na casa de número 18. O escritor recebeu o apelido de Bruxo do Cosme Velho.Passar por lá é um verdadeiro convite a nostalgia literária, algo que poucas pessoas se dão ao luxo de desfrutar. A rua Cosme Velho encontra-se no Rio de Janeiro, no bairro Cosme Velho e dá acesso ao bonde que leva ao Cristo Redentor. Antes de desfrutar da paisagem de tirar o fôlego lá em cima, fiquei imaginando que casa poderia ter sido descrita por ele nos livros. Visualizei as roupas pomposas do Império e os momentos marcantes da República. Casas de arquitetura antiga, com árvores altas na entrada Acesso ao Corcovado Bonde que conduz ao Corcovado Dizem que a casa de Machado de Assis ficava nesse prédio a direita na foto... Enquanto isso, em Copacabana, próximo à esquina das aveni...