26 de maio de 2009

2° Mito: " Escrever é um ato espontâneo que não exige empenho"

Continuando aquela série que prometi para vocês, vejamos o 2° mito sobre o ato de escrever...


Muitos pensam que as pessoas que redigem bons textos o fazem como quem respira, num piscar de olhos, sem o mínimo esforço. A história não é bem assim... Escrever é um dos exercícios mais complicados que realizamos pois exige muito da memória e do raciocínio. Segundo Garcez (2001), " a agilidade mental é imprescindível para que todos os aspectos envolvidos na escrita sejam articulados, coordenados, harmonizados de forma que o texto seja bem sucedido." Haja trabalho, não?


Conhecimentos da mais diversa natureza são acessados quando estamos produzindo um texto. No momento da escrita é fundamental pensar em alguns aspectos: o assunto, o gênero adequado, em que situação ele será produzido, os possíveis leitores, a língua e suas possibilidades de estilos. Trocando em miúdos: escrever definitivamente não combina com preguiça!!!


Claro que, para quem escreve todos os dias, essa missão se torna mais fácil com o passar do tempo, mas mesmo assim há relatos de pessoas que ainda sentem dificuldades, pois é um trabalho braçal e mental muito rigoroso e por vezes frustrante. Já reparou que você nunca está satisfeito com o que escreveu? É por isso que ficamos babando ao ler um autor literário ( um Machado da vida), pois muitas vezes eles conseguem traduzir em palavras sentimentos e emoções que jamais conseguimos fazer com tanta precisão.Termino aqui a minha sessão de desmistificação de mitos (propositadamente redundante!) com um poema do Drummond, no qual os conflitos apresentados aqui nos são apresentados de forma genial como é típico dele:

O Lutador
Carlos Drummond de Andrade

Lutar com palavras
é a luta mais vã.
Entanto lutamos
mal rompe a manhã.
São muitas, eu pouco.
Algumas, tão fortes
como o javali.
Não me julgo louco.
Se o fosse, teria
poder de encantá-las.
Mas lúcido e frio,
apareço e tento
apanhar algumas
para meu sustento
num dia de vida.
Deixam-se enlaçar,
tontas à carícia
e súbito fogem
e não há ameaça
e nem há sevícia
que as traga de novo
ao centro da praça.

Insisto, solerte.
Busco persuadi-las.
Ser-lhes-ei escravo
de rara humildade.
Guardarei sigilo
de nosso comércio.
Na voz, nenhum travo
de zanga ou desgosto.
Sem me ouvir deslizam,
perpassam levíssimas
e viram-me o rosto.
Lutar com palavras
parece sem fruto.
Não têm carne e sangue
Entretanto, luto.

Palavra, palavra
(digo exasperado),
se me desafias,
aceito o combate.
Quisera possuir-te
neste descampado,
sem roteiro de unha
ou marca de dente
nessa pele clara.
Preferes o amor
de uma posse impura
e que venha o gozo
da maior tortura.

Luto corpo a corpo,
luto todo o tempo,
sem maior proveito
que o da caça ao vento.
Não encontro vestes,
não seguro formas,
é fluido inimigo
que me dobra os músculos
e ri-se das normas
da boa peleja.

Iludo-me às vezes,
pressinto que a entrega
se consumará.
Já vejo palavras
em coro submisso,
esta me ofertando
seu velho calor,
outra sua glória
feita de mistério,
outra seu desdém,
outra seu ciúme,
e um sapiente amor
me ensina a fruir
de cada palavra
a essência captada,
o sutil queixume.
Mas ai! é o instante
de entreabrir os olhos:
entre beijo e boca,
tudo se evapora.

O ciclo do dia
ora se consuma
e o inútil duelo
jamais se resolve.
O teu rosto belo,
ó palavra, esplende
na curva da noite
que toda me envolve.
Tamanha paixão
e nenhum pecúlio.
Cerradas as portas,
a luta prossegue
nas ruas do sono.

Fonte: GARCEZ, L. H. do Carmo. Técnica de redação: o que é preciso saber para bem escrever. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

18 de maio de 2009

1° Mito: "Escrever é um dom que poucas pessoas têm"







Expressões do tipo
"Eu não tenho o dom da escrita" "Não fui escolhido" "Não recebi esse talento quando nasci" são muito comuns entre os alunos quando se veem sem ideias diante da página em branco.

Pode-se dizer que a escrita é uma construção social, pois sempre precisamos do outro para começar e continuar escrevendo.

Um fator determinante do nosso grau de familiaridade com a escrita seria a forma que aprendemos a escrever, que valor o texto escrito tem para nós e para a esfera social em que circulamos, a intensidade de leituras que fizemos ao longo da vida e a frequência com que produzimos textos. Sendo assim, esses detalhes funcionam como uma fórmula para os que desejam amadurecer a escrita e melhorar o desempenho em relação aos textos produzidos.

Embora seja tão polêmica, a questão do dom pode ser atribuída aos grandes escritores da literatura, mas, mesmo assim, sabe-se que todos eles só se revelaram escritores após um grande processo de aprendizagem e uma convivência intensiva com a escrita. Não há notícias de que alguém nasceu escritor e o processo que faz de alguém um célebre ainda é enigmático.

O importante é compreender que todos podemos chegar a produzir excelentes textos e que isso não é uma dádiva especial dos céus, mas o fruto do esforço daqueles que pretendem amadurecer nesse sentido. Pessoalmente, tive vários traumas referentes à produção textual, mas a cada dia tento passar por cima de tais obstáculos. Fica então a dica sobre o primeiro mito sobre a escrita!




Fonte:
GARCEZ, L. H. C. Técnica de redação: o que é preciso saber para bem escrever. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

15 de maio de 2009

Os mitos que cercam o ato de escrever*




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Muitos mitos cercam o ato de escrever. Farei aqui uma série de posts nos quais gostaria de mostrar verdades e mentiras sobre o assunto, bem como fornecer dicas aos meus diletos visitantes. A fonte de pesquisa encontra-se no final do texto.


Nos tempos de escola, acabamos cristalizando alguns mitos a respeito das famosas redações (prefiro chamá-las de produção textual). Algumas dessas crenças têm fundamento nos livros didáticos e na cultura escolar em geral. Geralmente a relação das pessoas com a escrita é um pouco desastrosa e isso reside em muitos equívocos que ouvimos no decorrer da vida. Muitos de nós crescemos com a ideia de que nunca seremos bons escritores, que não há possibilidades de amadurecer um texto e até mesmo que escrever é um dom, quae uma dádiva dos céus a alguns mortais. Será que você se encaixa no grupo dos mortais que não foram beneficiados com o dom da escrita? Caso a sua resposta foi não, meus parabéns, pois até os maiores escritores que conhecemos se sentem inseguros e até mesmo incapazes diante da folha em branco. A tarefa da escrita é uma das mais complicadas que enfrentamos ao longo da vida principalmente porque envolve subjetivismo e muito esforço, mas eu tenho uma ótima noticia pra você: todos são capazes de escrever bem!


Vejamos as falsas crenças e os mitos mais freqüentes sobre a escrita que conversaremos nos próximos posts: “a escrita é um dom que poucas pessoas têm; é um ato espontâneo que não exige empenho; é uma questão que se resolve com algumas ‘dicas’; é um ato isolado desligado da leitura; é algo desnecessário ao mundo moderno; é um ato autônomo, desvinculado das práticas sociais.”
*Fonte: GARCEZ, L. H. do Carmo. Técnica de redação: o que é preciso saber para bem escrever. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

Até breve! Segue um vídeo fofo que eu gostaria de compartilhar com vocês:



12 de maio de 2009

Exercícios de ser criança I


No aeroporto o menino perguntou:
-E se o avião tropicar num passarinho?

O pai ficou torto e não respondeu.

O menino perguntou de novo:

-E se o avião tropicar num passarinho triste?
A mãe teve ternuras e pensou:
Será que os absurdos não são as maiores virtudes da poesia?

Será que os despropósitos não são mais carregados de poesia do que o bom senso?

Ao sair do sufoco o pai refletiu:

Com certeza, a liberdade e a poesia a gente
aprende com as crianças.
E ficou sendo.
[Manoel de Barros]

A literatura infato-juvenil me encanta tanto em prosa quanto em poesia e quando se trata do escritor Manoel de Barros, conheço poucos que entendam o sentimento infantil como ele. O trato que ele dá nos textos destinados ao público infantil é encantador. Ele costuma usar os elementos da natureza em harmonia com as pessoas. No poema transcrito acima, ele mostra as famosas perguntas que as crianças fazem quando estão naquela fase de descoberta do mundo ao redor e a reação dos adultos a elas. Geralmente quem tem mais paciência é a mãe, seja pela questão da afetividade adquirida pela ligação mãe/filho, ou pela característica maternal bastante aguçada que nós mulheres temos normalmente. Calma, os homens não são insensíveis, mas são bem mais práticos que nós; resultado: a mãe que se vire pra responder às crianças, haha! O ponto alto da poema é quando ele compara o fazer poético [ por essa razão podemos afirmar que ele é metalinguístico,pois é a língua tratando da própria língua] aos despropósitos das crianças. De fato, o modo de falar, agir e pensar das crianças causa um verdadeiro estranhamento aos adultos; muitos até acham que são coisas sem sentido, que pena, eles olham torto que nem o pai do menino do nosso poema. Fazer poesia é isso, é agir, pensar e falar como as crianças. Talvez resida aí a chave pra muitos despropósitos... Que tal aprender com elas?

4 de maio de 2009

Se você fosse um livro...

O blog do Pablo mais uma vez inspira um post aqui, haha! Fiz o teste do site educarparacrescer para saber que livro eu seria e me surpreendi com o meu resultado:


Você é... "Carmen – Uma biografia", de Ruy Castro
Boa história é com você mesmo. Adora ouvir, contar, recontar. As de pessoas interessantes e revolucionárias são as suas preferidas. Tem gente que liga para você só para saber das últimas fofocas. E confesse: com seu jeitinho manso e detalhista, você dá aos fatos um sabor todo especial. Além disso, não se contenta em reproduzir o que já foi dito. Por isso, se fosse um livro, você só poderia ser uma boa biografia, daquelas que faz os leitores deitarem na rede do fim de semana e se entregarem às peripécias de uma grande personagem. Aliás, você já pensou na profissão de repórter? Ou de escritor?
"Carmen – Uma Biografia" (2005), sobre Carmen Miranda, é uma das aclamadas biografias publicadas por Ruy Castro, também jornalista e tradutor, considerado um dos maiores biógrafos brasileiros.

Achei o teste super divertido!!! Experimentem!
Bjoks

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