Postagens

Às vezes eu queria morar fora de mim...

Imagem
Pra onde fugir das (boas) lembranças que (paradoxalmente) motivam a chuva que escorre pelos olhos? A solução (impossível e improvável, ou uma, ou outra, ou ambas) seria morar fora de mim. Como não posso fazê-lo, fica tudo assim. Se as tempestades naturais passam e se transformam  em bonança, por que não as interiores, aquelas da alma?

Assassinei o "Soneto de Fidelidade". Perdão, Vinícius de Moraes...

Imagem
SONETO DA REVISÃO TEXTUAL De tudo ao texto dos outros serei atenta. Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto  Que mesmo em face ao maior erro não terei desencanto, ainda que dê risada do meu sofrimento. Quero lê-lo em cada vão momento E em seu lapidar espalhar minha revisão E rir seu riso e derramar seu pranto Ao seu pontuar ou seu descabimento. E assim quando mais tarde me procure Quem sabe o autor, angústia de quem revisa Quem sabe a reescrita, fim de quem revisa Eu possa me dizer dos textos (que li): Que não seja imortal, posto que é "cilada, Bino!" Mas que seja infinito enquanto corrigido.

Ao revisor, com carinho

Imagem
Comemoramos hoje o dia de um profissional importantíssimo para a linguagem escrita em geral: o revisor. Suar, correr para cumprir prazos apertados, essa é a vida que nós enfrentamos. A nossa função transita em investigar textos, remendar, acarinhar, clarear ideias, organizar a dança das palavras. Na calçada da fama, encontramos os nomes de Machado de Assis e Monteiro Lobato que também desempenharam a função. Conta-se que Monteiro dizia que os erros ou falhas se escondem durante o processo de confecção do livro. "Depois de tudo já produzido, o erro aparece na primeira página aberta, como um 'saci', pulando e debochando do revisor." Encerro o post de hoje com uma gostosura repleta de sabor de bobice e diversão: Soneto do revisor (pobre) Empunha uma caneta em cada mão! Rupestre tal ofício: corrigir os erros de quem erra ao se exprimir com verbo, fraseado, conjunção. Parece reescrever co’a gasta mão os textos, numa lida qual faquir...

Um poeta perdoado

Imagem
Evangelho em prosa poética,    simplicidade e precisão, melodias que tocam fundo o coração e provocam mudança de vida. A tarefa de definir as músicas do Stênio Marcius é muito difícil, pois ele é para mim um dos maiores poetas da música cristã da atualidade. Autor de mais de 300 composições (algumas gravadas por outros cantores, entre eles João Alexandre), cada música é uma obra de arte. Enquanto escrevo o post, muitas de suas canções ecoam na minha cabeça e não teria como falar detalhadamente de todas que conheço, mas farei pelo menos com as que mais me tocam no momento, pois vez que as ouço  ocorre uma nova epifania que acaba me fazendo repetir infinitamente aquela determinada música. Ele já tem quatro CDs lançados: “O Tapeceiro”, “Estima”, “Canções à Meia Noite” e “A Beleza do Rei”. A que mais aprecio chama-se Alguém Como Eu . Essa música me toca muito, pois nos faz refletir a respeito da humanidade de Cristo enquanto esteve aqui na terra. Já parou para pen...

14 de março.

Imagem
Hoje é o dia da poesia. Deixo para os meus queridos leitores um dos poemas da Cecília Meireles que eu mais gosto. Bom apetite!  (: Timidez  Basta-me um pequeno gesto, feito de longe e de leve, para que venhas comigo e eu para sempre te leve... - mas só esse eu não farei. Uma palavra caída das montanhas dos instantes desmancha todos os mares e une as terras mais distantes... - palavra que não direi. Para que tu me adivinhes, entre os ventos taciturnos, apago meus pensamentos, ponho vestidos noturnos, - que amargamente inventei. E, enquanto não me descobres, os mundos vão navegando nos ares certos do tempo, até não se sabe quando... e um dia me acabarei.

Da balzaquianice...

Imagem
... uma bobice . * Imagem

Meu poema de sete faces*

Imagem
Quando nasci, um anjo torto desses que vivem na sombra disse: Vai, Débora! Ser alguém na vida. as portas abrem passagens para outras dimensões. A manhã talvez tivesse qualquer cor Ainda assim inspiraria recomeços. O ônibus passa cheio de cabeças: Cabeças brancas vermelhas marrons: Para que tanta cabeça, meu Deus, pergunta minha cabeça. Porém meu coração Silencia. O artista atrás da sua obra É frágil, simples e nobre. Quase não se dá nada por ele. Tem muitos, admiradores, mas raros amigos O artista atrás da sua obra. Meu Deus, nunca me abandonaste Sabes quem eu sou, Mas mesmo assim não me deixas. Mundo mundo vasto mundo Se eu me chamasse outro nome, Qualquer que seja, Nem a rima seria uma solução; fosse ela pobre ou rica. Mundo mundo vasto mundo Mais vasto é o que alcança a minha imaginação. Eu não queria te dizer Mas essa lua Mas essa melancolia Desconheço alguém mais sentimental que eu... *Tal qual o de Drummond , o "Meu poema de Sete...