22 de dezembro de 2011

Da escrita

"Eu escrevo como se fosse para salvar a vida de alguém. Provavelmente a minha própria vida." (Clarice Lispector)




O que eu vou ser quando aprender a escrever?

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10 de dezembro de 2011

Meu poema de sete faces*






Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Débora! Ser alguém na vida.

as portas abrem passagens
para outras dimensões.
A manhã talvez tivesse qualquer cor
Ainda assim inspiraria recomeços.

O ônibus passa cheio de cabeças:
Cabeças brancas vermelhas marrons:
Para que tanta cabeça, meu Deus, pergunta minha cabeça.
Porém meu coração
Silencia.

O artista atrás da sua obra
É frágil, simples e nobre.
Quase não se dá nada por ele.
Tem muitos, admiradores, mas raros amigos
O artista atrás da sua obra.

Meu Deus, nunca me abandonaste
Sabes quem eu sou,
Mas mesmo assim não me deixas.

Mundo mundo vasto mundo
Se eu me chamasse outro nome,
Qualquer que seja,
Nem a rima seria uma solução; fosse ela pobre ou rica.
Mundo mundo vasto mundo
Mais vasto é o que alcança a minha imaginação.

Eu não queria te dizer
Mas essa lua
Mas essa melancolia
Desconheço alguém mais sentimental que eu...



*Tal qual o de Drummond, o "Meu poema de Sete Faces apresenta o conflito Eu x Realidade. Conflito mais contemporâneo desconheço...

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8 de dezembro de 2011

Label







Ele(a) se viam além dos rótulos, pois sabiam que os mesmos impedem de ver o interior. E riram das pessoas que não percebem o óbvio.


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31 de outubro de 2011

Brincando de Kafka...




Era uma vez um a r t i s t a que era tão fascinado pela a r t e e suas diversas formas de expressão que um dia amanheceu metamorfoseado em c a n ç ã o. (Débora Oliveira)


Natal, 31 de outubro de 2011.

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13 de outubro de 2011

Da espera I

Retomo as postagens aqui do blog com um post  romanticamente descabelado. (Re)visitei o blog da Mima e fiquei com vontade de escrever algo semelhante, pois adorei a ideia.
Já dizia Guimarães Rosa que " esperar é reconhecer-se incompleto" e de fato é mesmo, ainda mais quando se trata da busca pela pessoa certa, aquela que você passará o resto da sua vida e terá a chave do seu coração.



Tudo o que fala a respeito da espera por um amor que vale a pena chama a minha atenção, é inevitável. E eu levanto essa bandeira, pois apesar do mundo atual ser tão conturbado com valores invertidos, a pessoa certa existe! O propósito desse post é listar algumas músicas que a gente pode ouvir enquanto espera ou desfrutar delas caso a pessoa certa já esteja presente em sua vida. Vamos à lista?



Love is waiting - Brooke Fraser

 



Everything - Stacie Orrico

 

Someday Soon - Francesca Battistelli

 


Daniel Bedingfield - If you're not the one

 


O anjo mais velho - O Teatro Mágico

 


Pratododia - O Teatro Mágico

 

Continua...



17 de setembro de 2011

Do dente de leão...

 Achei que criar raízes seria só no chão... Mas descobri que se criam raízes também no coração. (JL Vargas)




O dente de leão é uma planta incomum. Não, não vou me deter a descrevê-lo sob a ótica da botânica, biologia ou seja lá qual for a ciência que abarque o seu estudo. Quero poetizá-lo na sua liberdade, singeleza e determinação; pela sua capacidade de fazer vínculos sem fincar raízes, mas paradoxalmente deixando vestígios pelo caminho.

Há pessoas dente de leão. Sua presença surpreende, é trazida por um vento que não se sabe de onde veio e nunca sabemos para onde vai. Elas são (in)comuns, imprevisíveis e encantadoras pelo mistério que as envolve. Não se sabe que critérios ela utiliza para escolher de quem ficará perto-longe. Não saber, não entender suas idas e vindas, nunca vai torná-la menos interessante, pelo contrário. 

Certa tarde, abri minha janela e o vento da tarde me trouxe um. Eu sorri pra ele e depois daquele dia eu nunca mais fui a mesma, pois percebi que não é possível encontrar um dente de leão; ele vai ao seu encontro.


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11 de setembro de 2011

2 de agosto de 2011

Das estações.

 



As estações passam e a medida em que elas mudam de lugar, acompanho o seu ciclo infinito.

Deixo-me inundar nas cinzas do inverno para florescer em vários tons de lilás vermelho-alaranjado.

Ao mesmo tempo sou a folha que ressecou, caiu e passou a compor o (des)colorido tapete ao chão; o mesmo chão em que os miúdos brincam a pisar, se deliciando com as onomato(pé)ias ruidosas produzidas pelas pisadas de suas meninices.
Até que percebo que sou nada, nada mais que uma gotícula de orvalho que brinca de esconder dos raios de sol.


Aprendi com a primavera; a deixar-me cortar e voltar sempre inteira. (Cecília Meireles)
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4 de julho de 2011

Tato.

 A seguir um trecho da belíssima canção Minha Casa, de  Zeca Baleiro...




Quero no escuro, como um cego tatear estrelas distraídas






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19 de junho de 2011

Quino: desiludido ou realista?

Quino, o cartunista argentino autor  de  Mafalda, desiludido com o rumo deste século no que diz respeito a valores e educação, deixou impresso no cartoon o seu sentimento:







A genialidade do artista faz uma das melhores críticas sobre a criação de filhos (e educação) nos tempos atuais.



***Recebi por e-mail e resolvi postar aqui hoje!





14 de junho de 2011

Se eu fosse, seria(?)



Se eu fosse um mês, eu seria: janeiro.
Se eu fosse um dia da semana: sábados são aprazíveis.
Se eu fosse uma hora do dia: meia-noite; um entre-lugar.
Se eu fosse um planeta ou astro: a l u a, pois tenho fases como ela... (Cecília Meireles)
Se eu fosse uma direção: adiante
Se eu fosse um móvel: uma estante repleta de livros.                                                    
Se eu fosse um líquido: água, de côco.
Se eu fosse uma pedra: um diamante; estou sempre em processo de lapidação. 
Se eu fosse uma árvore: um baobá, eles parecem ser eternos... 
Se eu fosse uma fruta: morango, nem muito azedo, nem tão doce. 
Se eu fosse uma flor: jasmim. 
Se eu fosse um clima: tropical, com muitas variações.
Se eu fosse um instrumento musical: baixo acústico; só toca quem tem sensibilidade.
Se eu fosse um elemento: ar; invisível e indispensável. 
Se eu fosse uma cor: vermelha. 
Se eu fosse um bicho: b o r b o l e t a; “parece flor, que o vento tirou pra dançar” (O Teatro Mágico). 
Se eu fosse um som: um v i o l ã o  dedilhado.
Se eu fosse uma música: infinito  particular, de Marisa Monte. 
Se eu fosse um estilo musical: bossa  nova.
Se eu fosse um sentimento: alegria. 
Se eu fosse um livro: a Bíblia; tão antigo e tão atual... 
Se eu fosse uma comida: suhsi.
.Se eu fosse um lugar: Paris (je t'aime). 
Se eu fosse um gosto: doce.
 Se eu fosse um cheiro: livro  novo.
Se eu fosse uma palavra: amor; pena que ela esteja vazia de significado atualmente... 
Se eu fosse um verbo: amar.
Se eu fosse um objeto: livro. 
Se eu fosse uma parte do corpo: olhos. 
Se eu fosse uma expressão facial: sorriso. 
Se eu fosse um desenho animado: Moranguinho. 
Se eu fosse um filme: O Fabuloso Destino de Amélie Poulain. 
Se eu fosse um número: 7. 
Se eu fosse uma estação: outono. 
Se eu fosse uma frase: Tenho fases, como a lua /Fases de andar escondida, fases de vir para a rua... (Trecho da poesia  “Lua Adversa” da Cecília Meireles)

*Fonte da imagem: aqui

31 de maio de 2011

Pedaços de leitura: Terra Sonâmbula, de Mia Couto


Citações presentes na primeira página do livro:

Se dizia daquela terra que era sonâmbula. Porque enquanto os homens dormiam, a terra se movia espaços e tempos afora. Quando despertavam, os habitantes olhavam o novo rosto da paisagem e sabiam que, naquela noite, eles tinham sido visitados pela fantasia do sonho. (Crença dos habitantes de Matimati)

O que faz andar a estrada? É o sonho. Enquanto a gente sonhar a estrada permanecerá viva. É para isso que servem os caminhos, para nos fazerem parentes do futuro. (Fala de Tuahir)

Há três espécies de homens:
Os vivos, os mortos e os que andam no mar. (Platão)

Contar histórias é algo milenar, advém das mais remotas e passadas tradições humanas. Terra Sonâmbula é um bom exemplo disso. A história se passa no Moçambique pós-independência durante uma terrível guerra civil. Os personagens, um velho chamado Tuahir e um menino por nome Muidinga encontram um ônibus abandonado que servirá de abrigo para ambos. Ao lado do veículo encontram uma mala que contém os doze cadernos de Kindzu, outro fugitivo da guerra. Tal caderno é repleto de histórias fantásticas que remetem poeticamente à tradição africana. Ainda não conclui a leitura, mas já estou encantada e fiz uns recortes das primeiras partes do livro:


Capítulo I - A estrada morta
Um velho e um miúdo vão seguindo pela estrada. Andam bambolentos como se caminhar fosse seu único serviço desde que nasceram. Vão para lá de nenhuma parte, dando ao vindo por não ido, à espera do adiante. (p.9)
O menino estava já sem estado, os ranhos lhe saíam não do nariz mas de toda a cabeça. O velho teve que lhe ensinar todos os inícios: andar, falar, pensar. Muidinga se meninou outra vez. Esta segunda infância, porém, fora apressada pelos ditados da sobrevivência. (p.10)
Parece que o fogo gosta de nos ver crianças. (p.11)


Primeiro caderno de Kindzu: o tempo em que o mundo tinha a nossa idade
A guerra é uma cobra que usa os nossos próprios dentes para nos morder. [...] De dia já não saíamos, de noite não sonhávamos. O sonho é o olho da vida. Nós estávamos cegos. (p.17)
Ficava a olhar o antigamente. (p.17)
[...] Melhor sentinela é não ter portas. [fala do velho Tuahir] (p.17)
Quem sabe nossas barrigas se torcessem de aperto: dos nadas de nossos prantos, afinal, sempre restava uma qualquer coisinha. (p. 19)
Sua voz nos fazia descer uma tristeza, olhos abaixo. (p.19)
[...] tombou sobre o chão com educação de uma folha. (p.20)

Capítulo II – As letras do sonho
O respirar dos adormecidos é um ruído que inquieta. Como se neles soasse uma outra alma. (p. 35)
[..] medo espreita pela fresta das pálpebras [...] (p.35)
[...] pé posto em cautela. (p.35)
Quando é que cores voltariam a florir, a terra arco-iriscando? (p.37)
Mais uma vez contempla a palavra escrita na estrada. Ao lado, volta a escrevinhar. Lhe vem uma outra palavra, sem cuidar na escolha: “LUZ”. Dá um passo atrás e examina a obra. Então, pensa: “a cor azul tem o nome certo. Porque tem as iguais letras da palavra ‘luz’, fosse o seu feminino às avessas” (p.37)

Segundo caderno de Kindzu: uma cova no tecto do mundo
[..] no mar, serás mar. E era: eu me peixava, cumprindo sentença. (p. 41)







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MIA, C. Terra Sonâmbula. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.


10 de maio de 2011

Gênese.

 



Você pode fazer mais com um castelo na narrativa do que com o melhor castelo de cartolina que jamais se viu sobre a mesinha de uma criança.[1]


 Foi na narrativa que ela encontrou o sabor das primeiras coisas. As primeiras cores foram os caracteres em branco e preto que saltavam a cada momento que os olhos passavam pelas palavras. Os primeiros aromas foram sentidos vieram das florestas dos contos de fadas, com as suas floras e faunas encantadas. O primeiro toque foi para sentir o personagem na textura do papel e atestar que ele era de verdade mesmo (embora soubesse que ele é parte de uma coerência interna, uma verdade ficcional).O primeiro som foram vozes, aquelas vozes que juramos ouvir quando cada personagem dialoga, pensa, canta, sussurra, GRITA.
Ela descobriu que poderia fazer o que quisesse numa narrativa e decidiu que se tivesse que fazer, faria o melhor que pudesse; guardaria as primeiras sensações de todas as primeiras coisas que passaram por ela numa narrativa amarradinha, levemente tecida com os melhores sabores, aromas, cores, toques e sons que ela capturou com o  c o r a ç ã o.





Fonte da imagem
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[1] LEWIS, C. S.Surpreendido pela alegria.Traduzido por Eduardo Pereira e Ferreira - São Paulo: Mundo Cristão, 1998.

5 de maio de 2011

O que passou a ser. Em transformação...


Habito os dez mil e quinhentos universos

sugeridos pela física quântica

satisfeita de ser

tantas em tantos

                           (Diva Cunha)



1º Universo,o das bobices.


Era uma vez ela, uma menina. Há tanto tempo esperada; a torre do castelo já tinha espaço para abrigar seus devaneios infantis, cercada de afeto, mimos, cuidados. Seus pequenos prazeres: canções lilases, longas conversas com objetos disfarçados de brinquedos e quitutes da avó. Ela, a menina, era capaz de montar quebra – cabeça com nuvens, mas tinha medo do escuro. Pra isso achou uma solução: descobriu que poderia morar num livro.

Seu primeiro e grande amor foi um livro. Toda semana aguardava ansiosamente pelo encontro com o seu amado. Sentia todos os sintomas de paixonite. Frio na barriga. Ria do vento. Sentia saudade, mesmo estando perto. Abraçava forte. Gostava do cheiro. Com ele, só com ele ela era muitas numa só: a mocinha, a princesa, a fada.  Nunca criou histórias, pois se contentava com as que lhe contavam.

Gostava de observar, quieta. Brincou de boneca, atuou com elas, fez de conta. Subia no pé de seriguela, comia as frutinhas até doer os dentes. E assim, de esconde-esconde em esconde-esconde aproveitou ao máximo as bobices.



Eu só não queria significar. Porque significar limita a imaginação. (Manoel de Barros)



2º Universo, o das definições.



A moça, outrora menina, saiu das coisas próprias de criança.Começou a viver. Timidamente. Sem correr muitos riscos, pra não machucar. Seus pequenos prazeres agora são: música -sem rotulações-, densas leituras, filmes que poucos aplaudem de pé, raros (e poucos) amigos, pouca satisfação com muita coisa. Uma idosa de quarto de século, por vezes incompreendida, outras nem tanto.
Até que...

Apertou o play, fechou os olhos e se jogou, sem garantias. Com medo, muito medo. Quebrou a cara; juntou os pedaços a seu tempo, sozinha, lentamente e vivendo, descobriu: que a mágoa é mais amarga que jiló; escolher errado é como tatuagem arrependida: difícil de tirar e geralmente deixa marcas. Fruta madura tem que ser tirada do pé, isso dói, mas é proveitoso.Nas palavras de Guimarães Rosa, viver é perigoso, é etcétera.



  Mudei muito, e não preciso que acreditem na minha mudança para que eu tenha mudado. (Caio Fernando Abreu)





3º Universo, o das aspirações.



Fingir que o amanhã ainda não chegou. Retomar caminhos, repensar outros. Descobrir outros pequenos prazeres.



"Se amanhã o que eu sonhei não for bem aquilo, eu tiro um arco-íris da cartola. E refaço. Colo. Pinto e bordo." (Caio Fernando Abreu)



4º Universo (em transformação)











Good People (Spoiller Alert!), de David Foster Wallace

Leia o texto a seguir e somente após ter feito isso, volte e leia a análise: GOOD PEOPLE Two young Christians and an unwanted pregna...

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